quinta-feira, 26 de agosto de 2010

FIBRAS MUSCULARES

Os exercícios resistidos solicitam os dois tipos básicos de fibras musculares que formam os músculos esqueléticos humanos: fibras brancas e fibras vermelhas. As fibras vermelhas também são identificadas em outras classificações como lentas, oxidativas ou do tipo I. As fibras brancas são conhecidas também como rápidas, glicolíticas ou do tipo II. Alguns grupos musculares humanos possuem predominância de fibras brancas, enquanto que outros apresentam maior quantidade de fibras vermelhas. Considerando-se os diversos grupos musculares em conjunto, verifica-se que existe grande variação inter-individual nas proporções entre fibras brancas e vermelhas. Algumas pessoas possuem predomínio de um tipo sobre o outro, o que as torna mais aptas para as atividades que dependem do tipo de fibra predominante. As fibras vermelhas são normalmente solicitadas em atividades de baixa intensidade, quando a tensão muscular durante a contração é pequena, e quando o metabolismo energético predominante é o aeróbio. As fibras brancas, com metabolismo predominante anaeróbio, são ativadas preferencialmente nas atividades de velocidade e nas tarefas de força, nesse último caso no entanto, geralmente em conjunto com as fibras vermelhas.



Para entendermos melhor o processo de recrutamento de fibras na contração muscular, é necessário esclarecer que as fibras musculares podem ser sub-classificadas, sendo dois sub-tipos de fibras brancas os mais importantes do ponto de vista funcional. As fibras II-A são chamadas fibras intermediárias, porque possuem metabolismo glicolítico e oxidativo, enquanto que as fibras II-B são apenas glicolíticas. Normalmente as pessoas possuem maior quantidade de fibras II-A, mas pessoas fisicamente ativas aumentam a sua quantidade. Isto se deve à que a atividade física, tanto aeróbia quanto anaeróbia (que como já vimos apresenta ativação aeróbia paralela), induz o acúmulo de enzimas oxidativas nas fibras II-B.
 
Outro aspecto importante é que nas atividades mais comuns, as fibras musculares são solicitadas para contração em uma sequência progressiva de volume celular: as menores são ativadas antes das maiores. Os menores diâmetros ao corte transversal são os das fibras vermelhas. Considerando a faixa de variação normal de volume entre as fibras musculares, as fibras II-A apresentam um diâmetro médio. A maior parte das fibras II-B também possuem diâmetros médios, mas algumas possuem grandes volumes, mesmo entre pessoas sedentárias.



No caso do treinamento com pesos, exercícios com pequenas cargas, que ativam poucas unidades motoras, utilizam apenas fibras vermelhas. Exercícios com cargas maiores mas ainda pequenas, ativam maior quantidade de fibras, mas todas vermelhas. Cargas maiores do que as necessárias para ativar todas as fibras vermelhas, comecarão a solicitar as fibras brancas. Normalmente cargas em níveis de treinamento para hipertrofia, entre 70 e 90 % de carga máxima, ativam todas as fibras vermelhas e a maior parte das fibras brancas. Na ativação muscular voluntária nunca é possivel ativar simultaneamente todas as fibras musculares, e no caso do treinamento para hipertrofia, as fibras que permanecem em repouso são as fibras II-B de tamanho maior. Essas fibras são ativadas apenas em situação de esforço máximo, para uma única repetição do movimento, ou em movimentos repetidos quando a maioria das outras fibras já estão em fadiga. Devido à sua participação nos esforços por tempo muito curto, mesmo em treinamento com pesos, as fibras II-B não acumulam enzimas oxidativas. Assim sendo, apenas as fibras II-B de tamanho médio tendem a serem transformadas em II-A. O processo de hipertrofia dos músculos esqueléticos caracteriza-se por aumento de volume celular que pode ser predominantemente de fibras brancas, ou tanto de brancas quanto de vermelhas
 
Em situações de movimentos muito rápidos ou de força máxima, parece haver uma inibição de fibras vermelhas em favor das fibras brancas de todos os tamanhos. Provavelmente por esse mecanismo, atletas de movimentos explosivos e levantadores de peso apresentam hipertrofia seletiva de fibras brancas. O treinamento com pesos para hipertrofia, tal como realizado na musculação esportiva e em reabilitação, estimula aumento de volume tanto nas fibras brancas quanto nas fibras vermelhas. Como as fibras brancas dos sedentários são maiores do que as vermelhas, nos indivíduos treinados permanece um diferencial de volume em favor das fibras brancas.
 
No nosso corpo temos 2 tipos de fibras musculares:



1. a fibra branca ou fibra tipo II, que está envolvida sobretudo no desenvolvimento rápido de força e em actividades que requerem muito dos músculos. Neste tipo de fibra existem ainda os seguintes subgrupos: fibras do tipo IIb, IIa e IIc. Este tipo de fibra é desenvolvida em actividades de velocidade e de potência (por exemplo: velocistas);


2. a fibra vermelha ou fibra tipo I, que é fina e lenta, activada em movimentos musculares de pequena intensidade. É uma fibra que é desenvolvida por actividades de media/longa duração e de baixa intensidade (ex.: maratonistas).


A proporção de cada tipo de fibra no ser humano deve-se muito ao factor genético. Daí a propensão de determinados individuos para o desenvolvimento de melhores resultados numas actividades e noutras não. No entanto, existem casos de transformação de fibras brancas (tipo II) em fibras vermelhas (tipo I) pelo treino de resistência e endurance de atletas de alto rendimento. Se o treino de resistência for interrompido, a fibra volta no entanto à sua condição inicial. O caso contrário já não se verifica, isto é, a transformação de fibras vermelhas em fibras brancas (ao contrário da resistência, a velocidade não pode ser adquirida por tempo comparável de treino, sob condições de variação de estímulos).
 
TIPO II a – Possuem, segundo McArdle, capacidade tanto aeróbia como anaeróbia sendo assim considerada intermediárias. O que determina a capacidade oxidativa é a presença das enzimas SDH (Succinato Desidrogenase) e PFK (Fosfofrutocinase), respectivamente aeróbias e anaeróbias que influencia diretamente na velocidade de encurtamento da fibra. Essas fibras possuem as duas enzimas.



TIPO II b – Possuem um maior potencial anaeróbio sendo a verdadeira fibra rápida.


TIPO II c – São mais raras e, segundo McArdle, podem participar da reinervação ou da transformação das unidades motoras.


Para que serve isso? Como sabemos as diversas modalidades esportivas têm características diferentes no que se refere à solicitação motora. Quando comparamos um maratonista com um velocista é fácil perceber: Um corre mais lento e por várias horas, o outro percorre uma curta distância e muito rápido. Entretanto, outras modalidades como por exemplo o futebol, o tênis, o vôlei entre outros, é difícil perceber e até de definir. São esportes rápidos? A princípio sim. Entretanto, o nível de competitividade e a especialização a que chegaram, inclusive durando horas uma grande decisão de prova “dita” anaeróbia levaram os especialistas a repensarem e buscar respostas. As fibras musculares poderiam transformar suas características? Ou seja, um maratonista pode se transformar num velocista e vice e versa? As pesquisas até agora dão conta que não é possível uma fibra vermelha, como num passe de mágica, virar branca. Porém, as propriedades bioquímicas-fisiológicas podem bandear de II b para II a ou, de I para II c conforme a exigência do treinamento, mas a fibra branca continua a ser branca e a vermelha, vermelha. Uma vez cessado o treinamento e respectivo tipo de estímulo tudo volta ao normal, mesmo porque, até que se prove o contrário, esse é um dado genético.
 
Outro fato ainda não possível é a transferência de um segmento corporal treinado para outro. Por exemplo, um remador transferir sua potência dos braços para as pernas ao tentar virar um corredor de 100 metros. Isso exige um treinamento específico na nova modalidade. O que se aproveita são os valores fisiológicos de performances da resistência orgânica.



HOMENS E MULHERES – A gente sabe que homens e mulheres são diferentes, mas nesse ponto, não existe diferenças significativas. Ambos têm um percentual próximo de 45/55% de fibras tipo I e II. Mulheres competem tanto em provas curtas e rápidas quanto lentas e longas. Claro, guardadas as devidas proporções quanto ao percentual de força física, muito mais dependente da liberação hormonal que define a velocidade final alcançada.


A IDADE – Há algum tempo especulava-se que treinamento, especialmente anaeróbio, dependia da idade. Hoje sabe-se, com a evolução dos métodos e da ajuda da ciência que “idade não é mais documento”. Os resultados Olímpicos estão aí com corredores de 100 metros chegando aos 32 anos e a natação registrando recordes mundiais em provas curtas de atletas outrora considerados velhos. Isso levou a ciência a pesquisar sobre características e adaptações oxidativas das fibras musculares. Já não são poucos os trabalhos induzindo uma variação de treinamento em todas as modalidades esportivas evitando, elevando e prolongando um suposto pico de performances e a vida esportiva de um atleta de alto nível. Maratonistas estão mais rápidos e velocistas além de rápidos competem em três ou mais Olimpíadas. Jogadores de futebol passam dos 35 anos jogando, e muito.


A RAÇA - Em função muito mais dos resultados de algumas modalidades esportivas há quem defenda que a musculatura dos negros sejam dotadas de um percentual maior de fibras tipo II.
 
Esportes onde a força física e a velocidade se fazem presente como o boxe e o atletismo são bom exemplo disso. Os negros dominam a grande maioria das modalidades rápidas, tais como as corridas rasas de 100, 200, 400 metros, os saltos e de sobra algumas provas de fundo como a meia maratona e a maratona com seus 42,195 metros. Mas o que dizer das provas de componentes anaeróbios dominados pelos brancos como o salto com vara e os lançamentos de peso, disco e dardo? E o que dizer da categoria feminina? As mulheres brancas, principalmente as do Leste Europeu, ainda dominam muitas provas de força e velocidade. Aqui no Brasil na São Silvestre, uma corrida que exige experiência, força e velocidade, o catarinense Iser Ben venceu em 97 e a Yugoslava Jevtic Olivera em 98. Os resultados podem ser mais uma prova do bandeamento de fibras musculares de acordo com o tipo de treinamento.

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